COPA DO MUNDO DE 1970
México – 1970
O mundo ainda estava fascinado com a chegada do homem à Lua, em 1969, quando foi disputada a Copa do Mundo do México, em 1970. Naquele ano, com a morte de Nasser, o Egito teve um novo presidente eleito: Anwar Sadat. Também é o momento em que o Feminismo ganha força e as mulheres lutam pelos direitos de igualdade nas principais ruas de Nova York.
O Brasil continua vivendo o terrorismo do regime militar. Torturas, prisões, assassinatos de opositores do governo, suspensão de direitos constitucionais, atentados, seqüestros e atos de sabotagem marcam a época. Em outubro de 1969, os militares elegem o general Emílio Garrastazu Medici para governar o País. Aumenta a concentração de renda e tem início o período conhecido como “milagre econômico”.
Enquanto o País vive a repressão política, no futebol a seleção enche a população de alegria. Na Copa de 70, o time brasileiro dá um show de bola, com Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson e cia. Foram seis vitórias em seis jogos, 19 gols marcados e apenas 7 sofridos. Depois do 4 a 1 sobre a Itália, na final, o Brasil chega ao tricampeonato mundial.
HISTÓRIA
A volta do maior espetáculo da terra
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Brasil volta a encantar o mundo com este time: em pé - Carlos Alberto Torres, Félix, Brito, Piazza, Clodoaldo e Everaldo; agachados - Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino
O Mundial de 70 teve o mérito de redimir o futebol mundial das péssimas atuações apresentadas por seleções e arbitragens durante a Copa de 66, na Inglaterra. O Brasil tinha renovado completamente sua equipe, Itália e Uruguai voltavam a figurar no cenário mundial como potências do futebol, a Alemanha Ocidental estava preparada para conquistar mais um título e a Inglaterra, com seu futebol ofensivo, entrava como favorita ao bi.
Talvez porque naquele ano o México respirasse esporte (o país foi a sede dos Jogos Olímpicos de 68), aquela Copa ficou conhecida pelos seus jogos limpos e sem violência. Isso contribuía para aumentar a imagem do espetáculo. O maior espetáculo da terra estava de volta nas terras mexicanas.
Trabalhando desde a Olimpíada, os mexicanos construíram o majestoso estádio Azteca, com capacidade para 107.247 torcedores. O estádio Jalisco, em Guadalajara, foi totalmente reformado, com capacidade para 70.878 torcedores e palco do grande show brasileiro até as semifinais.
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México abre a Copa num empate com a URSS diante de 107 mil torcedores
Na abertura da Copa, 107 mil pessoas assistiram ao empate por 0 a 0 entre México e URSS, na largada da grande festa. Os mexicanos se classificariam, junto com soviéticos, e cumpririam um belo papel como anfitriões. Eles cairam nas quartas-de-final diante da Itália e adotaram o Brasil até o fim do mundial como sua seleção de coração. E se deram muito bem.
Forma de disputa
A Copa do Mundo de 1970 foi disputada no México entre 31 de maio e 21 de junho. Na primeira fase, os 16 times foram distribuídos em quatro grupos, assim constituídos:
Grupo 1 – México, União Soviética, Bélgica e El Salvador (Cidade do México)Grupo 2 – Uruguai, Israel, Itália e Suécia (Puebla e Toluca)Grupo 3 – Inglaterra, Brasil, Tchecoslováquia e Romênia (Guadalajara)Grupo 4 – Peru, Bulgária, Alemanha Ocidental e Marrocos (León)
As seleções jogaram entre si dentro de cada grupo, classificando-se as duas melhores de cada chave para as quartas-de-final. Desta etapa até a final foi adotado o sistema de eliminatória simples.
México - 1970
BRASILO Brasil renasce nas Eliminatórias
Acervo/Gazeta Press
Os tricampeões: Carlos Alberto Torres, Brito, Gerson, Piazza, Everaldo, Tostão, Clodoaldo, Rivelino, Pelé, Jairzinho e Félix
Depois de passar quase toda a década de 60 como a maior potência do futebol após o bicampeonato nas Copas de 1958 e 1962, o Brasil, com o fracasso de 1966, teve de amargar a necessidade de passar pelas Eliminatórias para chegar à Copa de 70.
A América do Sul teria três vagas na competição. No primeiro grupo aconteceu a grande surpresa: a favorita Argentina, eliminada pelo Peru, ficou fora do Mundial. No terceiro grupo, o Uruguai ficou com a vaga passando por Equador e Chile.
No segundo grupo, uma vaga deveria ser disputada entre Paraguai, Venezuela, Colômbia e Brasil. Mas no início da fase eliminatória o Brasil já teria voltado a mostrar seu grande futebol, a arte do país bicampeão. Sob o comando do jornalista João Saldanha, ex-técnico do Botafogo, a seleção aplicaria goleadas históricas e passaria pelas eliminatórias com uma campanha arrasadora que já profetizava a campanha que viria na Copa. Durante a competição, os brasileiros marcaram 23 gols e sofreram apenas seis. O grande craque desta fase da seleção foi o cruzeirense Tostão, que chegou a ser ameaçado de ficar de fora da Copa devido a um desvio na retina.
Apesar da classificação, o técnico João Saldanha bateu de frente com as autoridades militares que controlavam o País e foi demitido pouco antes do Mundial do México, deixando o cargo livre para Zagallo. Não se sabe ao certo o que exatamente derrubou Saldanha, mas houve uma série de fatores. O principal é que o presidente Emílio Garrastazu Médici teria pedido sua cabeça devido às suas convicções políticas de esquerda.
Além disso, Saldanha fazia questão de mostrar sua antipatia ao regime e mantinha fora de sua lista o artilheiro da época, o atacante Dario, do Atlético/MG, apontado por Garrastazu Medici como seu favorito. Nada interferia na escalação do polêmico Saldanha. Ele acabou perdendo o cargo para Zagallo, este sim, bem afinado como o regime e com a comissão técnica da Seleção, toda formada por militares.
No último jogo do Brasil pelas Eliminatórias contra o Paraguai mais de 180 mil pessoas compareceram ao Maracanã. Segundo registros oficiais, este é o maior público do estádio.
A caminhada rumo ao tri
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O capitão Carlos Alberto ergue a Taça Jules Rimet
O Brasil iniciou o torneio nervoso e logo aos 11 minutos do primeiro tempo a Tchecoslováquia saiu na frente com um gol de Petras. Parece que o gol serviu para acordar os brasileiros e colocar a seleção na Copa. Treze minutos depois, uma falta cobrada magistralmente pelo corintiano Rivelino deixou tudo igual no placar. No segundo tempo um gol de Pelé e outros dois de Jairzinho acabariam com qualquer reação tcheca e dariam a sensação que nenhum time poderia vencer aquela seleção. O grande nome do jogo tinha sido Gérson, o Canhotinha de Ouro. Mas o jogador deixou o campo contundido e não participaria do jogo seguinte contra a Inglaterra.
Por sinal, esta seria a partida mais difícil para a seleção brasileira. Um osso duro de roer. O único gol da partida só sairia aos 15 minutos do segundo tempo, com uma jogada toda trabalhada por Tostão, que seria completada por Jairzinho, após um passe perfeito de Pelé. No sufoco, o Brasil venceu mais uma.
No terceiro jogo, contra a Romênia, mais um problema: já sem Gérson, o Brasil agora não teria Rivelino. Mesmo jogando fechados, correndo atrás de um empate em 0 a 0, os romenos não conseguiram segurar o ataque brasileiro, que marcou dois gols no primeiro tempo. No início da etapa complementar, o Brasil tomaria um gol e passaria os minutos seguintes sofrendo com os chuveirinhos em sua área. Mas a defesa resistiu e o Brasil venceu por 3 a 2, dois de Pelé e um de Jairzinho. Só restava esperar por Peru ou Bulgária nas quartas.
Deu a zebra Peru, que passou pela Bulgária por 3 a 2. Brasil e Peru fariam um grande duelo sul-americano. A dupla Gérson e Rivelino estava mais uma vez em campo, mas o grande nome do jogo seria o genial Tostão, que marcou dois gols na vitória brasileira por 4 a 2.
Para as semifinais, só campeões: Brasil, Uruguai, Itália e Alemanha. O adversário brasileiro seria o grande rival sul-americano. O jogo foi quase tão duro quanto contra os ingleses. As duas seleções entraram cautelosas e o Uruguai fez forte marcação sobre Gérson e Rivelino, impedindo a criação de jogadas brasileiras. Para piorar a situação, o Uruguai fez 1 a 0: o uruguaio Cubillas chutou torto e pegou de surpresa o goleiro Félix, que saía correndo atrás da bola, enquanto ela entrava vagarosamente em seu gol.
A situação era desesperadora e havia uma nuvem de tragédia no ar. Os uruguaios enrolavam o jogo, na maioria das vezes com faltas, e o ataque brasileiro não conseguia furar a defesa. Diante disso, Zagallo muda, pela primeira vez na Copa, o esquema tático da equipe: recua Gérson. Os defensores uruguaios seguem o Canhotinha, enquanto Clodoaldo ganha mais liberdade e consegue empatar o jogo no final do primeiro tempo. A virada só viria aos 31 minutos do segundo tempo com um gol de Jairzinho. A um minuto do final, Rivelino marcaria o último gol e definiria a partida. Na outra semifinal, Itália e Alemanha empatam no tempo normal. Na prorrogação, o jogo termina 4 x 3 para o italianos.
Na grande final, dois bicampeões: Brasil e Itália podiam conquistar definitivamente a Jules Rimet. Durante 32 anos, os italianos perseguiram o tri, mas o Brasil contava com os reis do futebol e a taça viria para nossas mãos definitivamente.
Fisicamente, os brasileiros já saíam na frente pois os italianos tinham enfrentado uma desgastante semifinal. Logo aos 18 minutos, o Brasil mostrou que mandaria no jogo com um gol de cabeça de Pelé. Aos 37 minutos, Clodoaldo e Félix falham e Bonisegna empata a partida. No segundo tempo, um espetáculo e a conquista do tri: Gérson desempata com uma bomba no canto esquerdo de Albertosi, Jairzinho marca o terceiro aos 25 minutos e o capitão Carlos Alberto Torres daria o tiro de misericórdia a quatro minutos do final. O Brasil não só conquistou a Jules Rimet como também se tornou o primeiro campeão a vencer todos os seus jogos depois da Itália em 1938.
Jogadores brasileiros
Goleiros: Félix (Fluminense), Ado (Corinthians) e Leão (Palmeiras)Zagueiros: Carlos Alberto Torres (Santos), Zé Maria (Portuguesa), Brito (Flamengo), Baldochi (Palmeiras), Piazza (Cruzeiro), Fontana (Cruzeiro), Joel (Santos), Marco Antônio (Fluminense) e Everaldo (Grêmio)Meio-de-campo: Clodoaldo (Santos), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo)Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Dario (Atlético Mineiro), Pelé (Santos), Paulo César (Botafogo), Roberto (Botafogo) e Edu (Santos)
México - 1970
CAMPEÃO
Jairzinho, o Furacão da Copa
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Jairzinho e Pelé contra a Itália: parceria de gols
Em 1970, o botafoguense Jairzinho chegava ao México disposto a esquecer a campanha de 1966. Na edição anterior da Copa ele havia sido o único jogador brasileiro a entrar em campo nos três jogos da seleção. Mas isso não tinha sido suficiente para marcar seu nome no futebol mundial. Era preciso mais. E a redenção aconteceu em Guadalajara. O atacante superou Pelé e marcou sete gols na Copa. Ficou atrás apenas do alemão Gerd Müller, o artilheiro do Mundial, com 10 gols. Tornou-se o primeiro jogador a marcar pelo menos um gol em todos os jogos da equipe campeã. Por isso, merecidamente, ganhou um apelido que passou para a história das maiores odisséias da Seleção Brasileira: o Furacão da Copa.
Dois dos gols do Furacão saíram logo no jogo de estréia contra a Tchecoslováquia. O Brasil já vencia por 2 a 1, gols de Rivelino e Pelé, de virada, após levar um gol do tcheco Petras no começo do jogo. Verdade restabelecida, o time começa a dar show para 52 mil torcedores em Guadalajara. E Jair completa a festa com dois belos gols: 4 a 1.
Na partida seguinte, o duelo com a Inglaterra. Jogo complicado, adversários valentes, bem organizados em campo. O Brasil encontra dificuldades para furar o bloqueio inglês. Mas aos 15 minutos do segundo tempo, o grito de vitória surge nos pés de Jairzinho. O gol teve o toque genial de Tostão, que enganou três ingleses e cruzou para Pelé, que limpou a jogada e meteu para Jairzinho. O Furacão fuzilou o goleiro Banks.
Diante da Romênia, outro jogo muito difícil. Vencemos por 3 a 2 e Jairzinho deixa sua marca com o segundo gol brasileiro (Pelé fez dois). Diante do Peru, nas quartas-de-final, a estrela do artilheiro volta a brilhar, com um belo gol que fecha a vitória por 4 a 2 em Guadalajara. Desafio não menos difícil seria encarar a garra dos uruguaios na semifinal, ainda no estádio Jalisco. Cubilla erra o chute, toca de canela e consegue enganar Félix: 1 a 0 Uruguai, logo no começo. Clodoaldo empata a partida. Depois, é a vez de Jair entrar em ação: ele recebe de Tostão e chuta cruzado, para virar o jogo em 2 a 1. Rivelino marca o terceiro gol brasileiro e define o Brasil como finalista da Copa: 3 a 1.
Final no estádio Azteca, com 107 mil torcedores para ver Brasil e Itália. Jairzinho leva para a decisão a fama de artilheiro, mas ainda faltava um final feliz para a história do Furacão da Copa. Pelé faz, de cabeça, 1 a 0. Boninsegna empata ainda no primeiro tempo. Gérson desempata com um chute fulminante da meia-esquerda. E o terceiro gol surge para coroar o artilheiro brasileiro no Mundial: aos 36 minutos, Gérson lança Pelé pelo alto e, de cabeça, o Rei serve a Jair, que entra pelo meio e com um leve toque engana o goleiro Albertosi: 3 a 1. De joelhos, fazendo o sinal da cruz, Jair agradece aos céus pelos momentos de pura magia que garantiram o tri. O capitão Carlos Alberto Torres, com passe de Pelé, encerra o show com o quarto gol.
Jogos do campeão
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Jairzinho marcou dois gols na estréia contra a Tchecoslováquia
Brasil 4 x 1 TchecoslováquiaData: 03/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Ramon Barreto (Uruguai)Público: 52 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho, Tostão, Pelé e Rivelino Tchecoslováquia: Viktor, Dobias, Horvath, Migas, Hagara, Kuna, Krdllika (Kvasnak), Frantisek Vesely (Bohumil Vesely), Petras, Adamek e JoklGols: Petras, aos 11min; Rivelino, aos 24min; Pelé, aos 59min; Jairzinho, aos 61min e 81min
Brasil 1 x 0 InglaterraData: 07/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Abraham Klien (Israel)Público: 66 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Jairizinho, Paulo César Lima, Tostão (Roberto), Pelé e Rivelino Inglaterra: Banks, Wright, Moore, Labone, Cooper, Mullery, Bobby Charlton (Astle), Alan Ball, Peters, Hurst e Lee (Bell) Gols: Jairiznho, aos 59min
Brasil 3 x 2 RomêniaData: 10/06/1970Local: GuadalajaraÁrbitro: F. Marshall (Áustria)Público: 50 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Fontana, Everaldo (Marco Antonio), Piazza, Clodoaldo (Edu), Jairizinho, Tostão, Pelé e Paulo César LimaRomênia: Adamache (Raducanu), Satmareanu, Lupescu, Mocanu, Dinu, Dembrowski, Dumitrache (Tataru), Nunweiller, Neagu, Dumitru e LucescuGols: Pelé, aos 19min; Jairizinho, aos 22min; Dumitrache, aos 34min; Pelé, aos 67min; Dembrowski, aos 84min
Quartas-de-finalBrasil 4 x 2 Peru Data: 14/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Vital Louraux (Bélgica)Público: 54 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Marco Antonio, Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho (Roberto), Tostão, Pelé e Rivelino Peru: Rubiños, Campos, Chumpitaz, Fuentes, Ramón Mifflin, Challe, Baylon (Sotil), Perico León, Cubillas, Fernandez e GallardoGols: Rivelino, aos 11min; Tostão, aos 15min; Gallardo, aos 28min; Tostão, aos 52min; Cubillas, aos 70min; Jairzinho, aos 75min
SemifinaisBrasil 3 x 1 UruguaiData: 17/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Ortiz de Mendibil (Espanha)Público: 51 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão, Pelé e RivelinoUruguai: Mazurkiewicz, Ubiñas, Ancheta, Matosas, Mujica, Montero Castillo, Cortez, Cubilla, Maneor (Esparrago), Fontes e MoralezGols: Cubilla, aos 19min; Clodoaldo, aos 44min; Jairzinho, aos 76min; Rivelino, aos 89min
FinalBrasil 4 x 1 ItáliaData: 21/06/1970Local: Cidade do MéxicoÁrbitro: Rudolf Gloeckner (Alemanha Oriental)Público: 107 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão, Pelé e RivelinoItália: Albertosi, Burgnich, Cera, Rosato, Fachetti, Bertini (Juliano), Mazzolla (Rivera), De Sisti, Domenghini, Boninsegna e Gigi RivaGols: Pelé, aos 18min; Boninsegna, aos 37min; Gérson, aos 65min; Jair, aos 70min; Carlos Alberto, aos 86min
México - 1970
DESTAQUESGerd Müller, o maior artilheiro
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Gerd Müller: 14 gols em dois mundiais
O alemão Gerd Müller não foi apenas o artilheiro da Copa de 70. O atacante repetiu o feito na edição seguinte do evento e se tornou o maior goleador em Copas – foram 14 gols em dois torneios. Entretanto, em 1970 seus dois gols na semifinal, contra a Itália, não foram suficientes para garantir uma vaga para sua seleção na final. Jogando pelo Bayern de Munique, Gerd Müller conquistou o título europeu em 74, 75 e 76. Em 1970, ganhou a Bola de Ouro como o melhor jogador da Europa.
A consagração do Rei
Não foi só a seleção brasileira que conquistou o tri em 1970. Pelé também o conseguiu. Até hoje nenhum outro jogador participou das três conquistas de sua seleção. Pelé estava na Copa de 58, 62 e 70 e pode realmente dizer que é tricampeão mundial. O feito, aliado aos seus outros títulos e números, rendeu a ele o título de Rei do futebol. No ano de 1970, Pelé foi fundamental na conquista brasileira apresentando um futebol empolgante. Apesar de não ter sido o artilheiro, marcou quatro gols, Pelé protagonizou no México alguns dos lances mais bonitos e reprisados do futebol mundial. Para provar sua importância para aquela Copa e atestar sua imortalidade, os mexicanos colocaram na tribuna do estádio Jalisco, onde o Brasil jogou até a semifinal, uma placa em sua homenagem.
Didi comanda o Peru
A seleção peruana, comandada pelo brasileiro bicampeão mundial Didi, chegou à Copa de 1970 como a grande zebra. E não era por menos. Nas eliminatórias sul-americanas, os peruanos conseguiram tirar do torneio os favoritos argentinos. Já no México, os peruanos conseguiram a classificação para as quartas-de-final passando por Marrocos e Bulgária. Mas para chegar à semifinal, eles teriam que passar pelos brasileiros. A seleção canarinho passaria fácil pelos peruanos, que apresentaram um futebol limpo. O grande destaque desta seleção foi o atacante Teófilo Cubillas, terceiro artilheiro do torneio com cinco gols. Mas eles tinham também o fraco goleiro Rubiños e uma defesa que não conseguiu parar o ataque brasileiro.
Potencias em equilíbrio
A Copa do México não apresentou nenhuma surpresa. Na disputa das semifinais todas as seleções já tinham conquistado títulos mundiais: Alemanha Ocidental, Itália, Uruguai e Brasil. Os três últimos tinham a chance de conquistar o tricampeonato. A Inglaterra, em tese, deveria ter ficado com uma das vagas para as semifinais por ter conquistado a Copa anterior. Entretanto, sua eliminação pela também forte e favorita Alemanha não chegou a ser uma surpresa. Pelo alto nível técnico de todos os selecionados que chegaram à fase final, a Copa de 70 é considerada uma das melhores edições do torneio.
Curiosidades
* A Copa de 70 apresentou o mais belo futebol de todos os tempos. Para comprovar isso, dois de seus jogos são lembrados como os mais empolgantes: Alemanha Ocidental x Inglaterra (quartas-de-final) e Itália x Alemanha. No primeiro jogo, a Alemanha se vinga da final da Copa anterior e desclassifica os ingleses. O jogo só foi decidido na prorrogação, quando o artilheiro Gerd Müller marca um gol e desempata a partida que terminou em 3 a 2.
* A partida entre Itália e Alemanha foi eleita, em uma pesquisa realizada pelo jornal francês "L’Équipe" entre 50 jogadores, o "jogo do século". E não é para menos. Beckenbauer, de braço imobilizado junto ao corpo, comandou o time alemão em uma verdadeira batalha. No tempo normal a partida terminou em 1 a 1, mas na prorrogação os italianos conseguiram definir o jogo por 4 a 3.
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Um instante mágico de Pelé diante do goleiro uruguaio Mazurkiewicz: só faltou o gol
* Outra prova do bom futebol são os lances de Pelé. Logo na estréia, ele percebe o goleiro adiantado e chuta a bola do meio-de-campo. O goleiro Viktor, desesperado, tenta voltar, mas não consegue. A bola, caprichosa, passa rente à trave. Na partida contra o Uruguai, pelas semifinais, o Rei protagonizaria um dos lances mais geniais e reprisados do futebol: após dar um drible de corpo no uruguaio Mazurkiewicz, ele chuta cruzado, evitando a chegada do zagueiro Ancheta. Novamente a bola passa raspando a trave.
* Na seleção brasileira, cinco jogadores eram camisa 10 em seus clubes: Pelé (Santos), Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo). Na seleção mexicana, um jogador completaria 20 anos de Copa: o goleiro Carbajal disputava seu quinto Mundial, mas na reserva de Calderón.
* Os brasileiros puderam vibrar mais intensamente com a conquista do tricampeonato: foi a primeira Copa em que as imagens chegavam ao vivo nos aparelhos de televisão dos torcedores do Brasil. A transmissão era em preto e branco, mas em Itaboraí, na sede da Embratel, as imagens chegavam em cores.
* O Mundial de 70 provocou uma guerra de verdade. El Salvador e Honduras disputavam uma vaga. Nos dois primeiros jogos, uma vitória para cada lado. No terceiro e decisivo, El Salvador venceu e conquistou o passaporte para a Copa. Os hondurenhos não ficaram muito felizes e se iniciou a guerra. É claro que existiam outros motivos, mas a rivalidade provocada pelo futebol foi o estopim.
México - 1970
NÚMEROS
Artilheiros
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O Rei na Copa da consagração: gols, garra e coração a serviço do Brasil
10 gols - Gerd Müller (Alemanha)
7 gols - Jairzinho (Brasil)
5 gols - Teofilo Cubillas (Peru)
4 gols - Pelé (Brasil); Bichevetz (URSS)
3 gols - Rivelino (Brasil); Seeler (Alemanha) e Riva (Itália)
2 gols – Gallardo (Peru); Van Moer e Lambert (Bélgica); Boninsegna (Itália), Dumitrache (Romênia), Valdívia (México), Tostão (Brasil), Rivera (Itália);
1 gol - Dermendejiev (Bulgária), Manero e Mujica (Uruguai), Bonev (Bulgária), Chumpitaz (Peru), Hurst (Inglaterra), Jarir e Alloui (Marrocos), Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha), Asatiani (URSS), Neagu (Romênia), Kmelnitzki (URSS), Challe (Peru), Nicodimov (Bulgária), Libuda (Alemanha), Fragoso (México), Turesson (Suécia), Spiegler (Israel), Basaguren (México), Kolev (Bulgária), Dembrowski (Romênia), Grahan (Suécia), Peña (México), Jetchev (Bulgária), Clarke (Inglaterra), Gonzalez (México), Carlos Alberto (Brasil), Gérson (Brasil), Schnellinger (Alemanha), Mullery e Peters (Inglaterra), Burgnich (Itália), Beckenbauer (Alemanha), Cubilla (Uruguai), Esparrago (Uruguai), Bertini e Domenghini (Itália).
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Gerd Muller marca dez gols, mas a Alemanha cai nas semifinais
Total de gols: 95
Todos os resultados
Grupo 1 31/05 – México 0 x 0 URSS03/06 - Bélgica 3 x 0 El Salvador06/06 - URSS 4 x 1 Bélgica07/06 - México 4 x 0 El Salvador 10/06 – URSS 2 x o El Salvador 11/07 – México 1 x 0 Bélgica
Grupo 2 02/06 - Uruguai 2 x 0 Israel 03/06 – Itália 1 x 0 Suécia 06/06 – Uruguai 0 x 0 Itália 07/06 – Suécia 1 x 1 Israel 10/06 – Suécia 1 x 0 Uruguai11/06 – Itália 0 x 0 Israel
Grupo 302/06 – Inglaterra 1 x o Romênia03/06 – Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia06/06 – Romênia 2 x 1 Tchecoslováquia 07/06 – Brasil 1 x 0 Inglaterra10/06 - Brasil 3 x 2 Romênia 11/06 – Inglaterra 1 x 0 Tchecoslováquia
Grupo 4 02/06 – Peru 3 x 2 Bulgária 03/06 – RFA 2 x 1 Marrocos 06/06 - Peru 3 x 0 Marrocos07/06 – RFA 5 x 2 Bulgária10/06 – RFA 3 x 1 Peru 11/06 – Bulgária 1 x 1 Marrocos
• Quartas-de-final 14/06 – Uruguai 1 x 0 URSS14/06 – Itália 4 x 1 México 14/06 – Brasil 4 x 2 Peru14/06 – RFA 3 x 2 Inglaterra
• Semifinais17/06 – Itália 4 x 3 RFA17/06 – Brasil 3 x 1 Uruguai
• Disputa do 3º lugar 20/06 – RFA 1 x 0 Uruguai
• Final21/06 – Brasil 4 x 1 Itália
Classificação final
Pos
País
Pontos
J
V
D
E
GP
GC
1º
Brasil
12
6
6
0
0
19
7
2º
Itália
8
6
3
1
2
10
8
3º
Alemanha Ocidental
10
6
5
1
0
17
10
4º
Uruguai
5
6
2
3
1
4
5
5º
URSS
5
4
2
1
1
6
2
6º
México
5
4
2
1
1
6
4
7º
Peru
4
4
2
2
0
9
9
8º
Inglaterra
4
4
2
2
0
4
4
9º
Suécia
3
3
1
1
1
2
2
10º
Romênia
2
3
1
2
0
4
5
11º
Bélgica
2
3
1
2
0
4
5
12º
Israel
2
3
0
1
2
1
3
13º
Bulgária
1
3
0
2
1
5
9
14º
Marrocos
1
3
0
2
1
2
6
15º
Tchecoslováquia
0
3
0
3
0
2
7
16º
El Salvador
0
3
0
3
0
0
9
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Jairzinho e Pelé contra a Itália: parceria de gols
Em 1970, o botafoguense Jairzinho chegava ao México disposto a esquecer a campanha de 1966. Na edição anterior da Copa ele havia sido o único jogador brasileiro a entrar em campo nos três jogos da seleção. Mas isso não tinha sido suficiente para marcar seu nome no futebol mundial. Era preciso mais. E a redenção aconteceu em Guadalajara. O atacante superou Pelé e marcou sete gols na Copa. Ficou atrás apenas do alemão Gerd Müller, o artilheiro do Mundial, com 10 gols. Tornou-se o primeiro jogador a marcar pelo menos um gol em todos os jogos da equipe campeã. Por isso, merecidamente, ganhou um apelido que passou para a história das maiores odisséias da Seleção Brasileira: o Furacão da Copa.
Dois dos gols do Furacão saíram logo no jogo de estréia contra a Tchecoslováquia. O Brasil já vencia por 2 a 1, gols de Rivelino e Pelé, de virada, após levar um gol do tcheco Petras no começo do jogo. Verdade restabelecida, o time começa a dar show para 52 mil torcedores em Guadalajara. E Jair completa a festa com dois belos gols: 4 a 1.
Na partida seguinte, o duelo com a Inglaterra. Jogo complicado, adversários valentes, bem organizados em campo. O Brasil encontra dificuldades para furar o bloqueio inglês. Mas aos 15 minutos do segundo tempo, o grito de vitória surge nos pés de Jairzinho. O gol teve o toque genial de Tostão, que enganou três ingleses e cruzou para Pelé, que limpou a jogada e meteu para Jairzinho. O Furacão fuzilou o goleiro Banks.
Diante da Romênia, outro jogo muito difícil. Vencemos por 3 a 2 e Jairzinho deixa sua marca com o segundo gol brasileiro (Pelé fez dois). Diante do Peru, nas quartas-de-final, a estrela do artilheiro volta a brilhar, com um belo gol que fecha a vitória por 4 a 2 em Guadalajara. Desafio não menos difícil seria encarar a garra dos uruguaios na semifinal, ainda no estádio Jalisco. Cubilla erra o chute, toca de canela e consegue enganar Félix: 1 a 0 Uruguai, logo no começo. Clodoaldo empata a partida. Depois, é a vez de Jair entrar em ação: ele recebe de Tostão e chuta cruzado, para virar o jogo em 2 a 1. Rivelino marca o terceiro gol brasileiro e define o Brasil como finalista da Copa: 3 a 1.
Final no estádio Azteca, com 107 mil torcedores para ver Brasil e Itália. Jairzinho leva para a decisão a fama de artilheiro, mas ainda faltava um final feliz para a história do Furacão da Copa. Pelé faz, de cabeça, 1 a 0. Boninsegna empata ainda no primeiro tempo. Gérson desempata com um chute fulminante da meia-esquerda. E o terceiro gol surge para coroar o artilheiro brasileiro no Mundial: aos 36 minutos, Gérson lança Pelé pelo alto e, de cabeça, o Rei serve a Jair, que entra pelo meio e com um leve toque engana o goleiro Albertosi: 3 a 1. De joelhos, fazendo o sinal da cruz, Jair agradece aos céus pelos momentos de pura magia que garantiram o tri. O capitão Carlos Alberto Torres, com passe de Pelé, encerra o show com o quarto gol.
Jogos do campeão
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Jairzinho marcou dois gols na estréia contra a Tchecoslováquia
Brasil 4 x 1 TchecoslováquiaData: 03/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Ramon Barreto (Uruguai)Público: 52 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho, Tostão, Pelé e Rivelino Tchecoslováquia: Viktor, Dobias, Horvath, Migas, Hagara, Kuna, Krdllika (Kvasnak), Frantisek Vesely (Bohumil Vesely), Petras, Adamek e JoklGols: Petras, aos 11min; Rivelino, aos 24min; Pelé, aos 59min; Jairzinho, aos 61min e 81min
Brasil 1 x 0 InglaterraData: 07/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Abraham Klien (Israel)Público: 66 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Jairizinho, Paulo César Lima, Tostão (Roberto), Pelé e Rivelino Inglaterra: Banks, Wright, Moore, Labone, Cooper, Mullery, Bobby Charlton (Astle), Alan Ball, Peters, Hurst e Lee (Bell) Gols: Jairiznho, aos 59min
Brasil 3 x 2 RomêniaData: 10/06/1970Local: GuadalajaraÁrbitro: F. Marshall (Áustria)Público: 50 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Fontana, Everaldo (Marco Antonio), Piazza, Clodoaldo (Edu), Jairizinho, Tostão, Pelé e Paulo César LimaRomênia: Adamache (Raducanu), Satmareanu, Lupescu, Mocanu, Dinu, Dembrowski, Dumitrache (Tataru), Nunweiller, Neagu, Dumitru e LucescuGols: Pelé, aos 19min; Jairizinho, aos 22min; Dumitrache, aos 34min; Pelé, aos 67min; Dembrowski, aos 84min
Quartas-de-finalBrasil 4 x 2 Peru Data: 14/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Vital Louraux (Bélgica)Público: 54 milBrasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Marco Antonio, Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho (Roberto), Tostão, Pelé e Rivelino Peru: Rubiños, Campos, Chumpitaz, Fuentes, Ramón Mifflin, Challe, Baylon (Sotil), Perico León, Cubillas, Fernandez e GallardoGols: Rivelino, aos 11min; Tostão, aos 15min; Gallardo, aos 28min; Tostão, aos 52min; Cubillas, aos 70min; Jairzinho, aos 75min
SemifinaisBrasil 3 x 1 UruguaiData: 17/06/1970Local: Guadalajara Árbitro: Ortiz de Mendibil (Espanha)Público: 51 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão, Pelé e RivelinoUruguai: Mazurkiewicz, Ubiñas, Ancheta, Matosas, Mujica, Montero Castillo, Cortez, Cubilla, Maneor (Esparrago), Fontes e MoralezGols: Cubilla, aos 19min; Clodoaldo, aos 44min; Jairzinho, aos 76min; Rivelino, aos 89min
FinalBrasil 4 x 1 ItáliaData: 21/06/1970Local: Cidade do MéxicoÁrbitro: Rudolf Gloeckner (Alemanha Oriental)Público: 107 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão, Pelé e RivelinoItália: Albertosi, Burgnich, Cera, Rosato, Fachetti, Bertini (Juliano), Mazzolla (Rivera), De Sisti, Domenghini, Boninsegna e Gigi RivaGols: Pelé, aos 18min; Boninsegna, aos 37min; Gérson, aos 65min; Jair, aos 70min; Carlos Alberto, aos 86min
México - 1970
DESTAQUESGerd Müller, o maior artilheiro
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Gerd Müller: 14 gols em dois mundiais
O alemão Gerd Müller não foi apenas o artilheiro da Copa de 70. O atacante repetiu o feito na edição seguinte do evento e se tornou o maior goleador em Copas – foram 14 gols em dois torneios. Entretanto, em 1970 seus dois gols na semifinal, contra a Itália, não foram suficientes para garantir uma vaga para sua seleção na final. Jogando pelo Bayern de Munique, Gerd Müller conquistou o título europeu em 74, 75 e 76. Em 1970, ganhou a Bola de Ouro como o melhor jogador da Europa.
A consagração do Rei
Não foi só a seleção brasileira que conquistou o tri em 1970. Pelé também o conseguiu. Até hoje nenhum outro jogador participou das três conquistas de sua seleção. Pelé estava na Copa de 58, 62 e 70 e pode realmente dizer que é tricampeão mundial. O feito, aliado aos seus outros títulos e números, rendeu a ele o título de Rei do futebol. No ano de 1970, Pelé foi fundamental na conquista brasileira apresentando um futebol empolgante. Apesar de não ter sido o artilheiro, marcou quatro gols, Pelé protagonizou no México alguns dos lances mais bonitos e reprisados do futebol mundial. Para provar sua importância para aquela Copa e atestar sua imortalidade, os mexicanos colocaram na tribuna do estádio Jalisco, onde o Brasil jogou até a semifinal, uma placa em sua homenagem.
Didi comanda o Peru
A seleção peruana, comandada pelo brasileiro bicampeão mundial Didi, chegou à Copa de 1970 como a grande zebra. E não era por menos. Nas eliminatórias sul-americanas, os peruanos conseguiram tirar do torneio os favoritos argentinos. Já no México, os peruanos conseguiram a classificação para as quartas-de-final passando por Marrocos e Bulgária. Mas para chegar à semifinal, eles teriam que passar pelos brasileiros. A seleção canarinho passaria fácil pelos peruanos, que apresentaram um futebol limpo. O grande destaque desta seleção foi o atacante Teófilo Cubillas, terceiro artilheiro do torneio com cinco gols. Mas eles tinham também o fraco goleiro Rubiños e uma defesa que não conseguiu parar o ataque brasileiro.
Potencias em equilíbrio
A Copa do México não apresentou nenhuma surpresa. Na disputa das semifinais todas as seleções já tinham conquistado títulos mundiais: Alemanha Ocidental, Itália, Uruguai e Brasil. Os três últimos tinham a chance de conquistar o tricampeonato. A Inglaterra, em tese, deveria ter ficado com uma das vagas para as semifinais por ter conquistado a Copa anterior. Entretanto, sua eliminação pela também forte e favorita Alemanha não chegou a ser uma surpresa. Pelo alto nível técnico de todos os selecionados que chegaram à fase final, a Copa de 70 é considerada uma das melhores edições do torneio.
Curiosidades
* A Copa de 70 apresentou o mais belo futebol de todos os tempos. Para comprovar isso, dois de seus jogos são lembrados como os mais empolgantes: Alemanha Ocidental x Inglaterra (quartas-de-final) e Itália x Alemanha. No primeiro jogo, a Alemanha se vinga da final da Copa anterior e desclassifica os ingleses. O jogo só foi decidido na prorrogação, quando o artilheiro Gerd Müller marca um gol e desempata a partida que terminou em 3 a 2.
* A partida entre Itália e Alemanha foi eleita, em uma pesquisa realizada pelo jornal francês "L’Équipe" entre 50 jogadores, o "jogo do século". E não é para menos. Beckenbauer, de braço imobilizado junto ao corpo, comandou o time alemão em uma verdadeira batalha. No tempo normal a partida terminou em 1 a 1, mas na prorrogação os italianos conseguiram definir o jogo por 4 a 3.
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Um instante mágico de Pelé diante do goleiro uruguaio Mazurkiewicz: só faltou o gol
* Outra prova do bom futebol são os lances de Pelé. Logo na estréia, ele percebe o goleiro adiantado e chuta a bola do meio-de-campo. O goleiro Viktor, desesperado, tenta voltar, mas não consegue. A bola, caprichosa, passa rente à trave. Na partida contra o Uruguai, pelas semifinais, o Rei protagonizaria um dos lances mais geniais e reprisados do futebol: após dar um drible de corpo no uruguaio Mazurkiewicz, ele chuta cruzado, evitando a chegada do zagueiro Ancheta. Novamente a bola passa raspando a trave.
* Na seleção brasileira, cinco jogadores eram camisa 10 em seus clubes: Pelé (Santos), Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo). Na seleção mexicana, um jogador completaria 20 anos de Copa: o goleiro Carbajal disputava seu quinto Mundial, mas na reserva de Calderón.
* Os brasileiros puderam vibrar mais intensamente com a conquista do tricampeonato: foi a primeira Copa em que as imagens chegavam ao vivo nos aparelhos de televisão dos torcedores do Brasil. A transmissão era em preto e branco, mas em Itaboraí, na sede da Embratel, as imagens chegavam em cores.
* O Mundial de 70 provocou uma guerra de verdade. El Salvador e Honduras disputavam uma vaga. Nos dois primeiros jogos, uma vitória para cada lado. No terceiro e decisivo, El Salvador venceu e conquistou o passaporte para a Copa. Os hondurenhos não ficaram muito felizes e se iniciou a guerra. É claro que existiam outros motivos, mas a rivalidade provocada pelo futebol foi o estopim.
México - 1970
NÚMEROS
Artilheiros
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O Rei na Copa da consagração: gols, garra e coração a serviço do Brasil
10 gols - Gerd Müller (Alemanha)
7 gols - Jairzinho (Brasil)
5 gols - Teofilo Cubillas (Peru)
4 gols - Pelé (Brasil); Bichevetz (URSS)
3 gols - Rivelino (Brasil); Seeler (Alemanha) e Riva (Itália)
2 gols – Gallardo (Peru); Van Moer e Lambert (Bélgica); Boninsegna (Itália), Dumitrache (Romênia), Valdívia (México), Tostão (Brasil), Rivera (Itália);
1 gol - Dermendejiev (Bulgária), Manero e Mujica (Uruguai), Bonev (Bulgária), Chumpitaz (Peru), Hurst (Inglaterra), Jarir e Alloui (Marrocos), Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha), Asatiani (URSS), Neagu (Romênia), Kmelnitzki (URSS), Challe (Peru), Nicodimov (Bulgária), Libuda (Alemanha), Fragoso (México), Turesson (Suécia), Spiegler (Israel), Basaguren (México), Kolev (Bulgária), Dembrowski (Romênia), Grahan (Suécia), Peña (México), Jetchev (Bulgária), Clarke (Inglaterra), Gonzalez (México), Carlos Alberto (Brasil), Gérson (Brasil), Schnellinger (Alemanha), Mullery e Peters (Inglaterra), Burgnich (Itália), Beckenbauer (Alemanha), Cubilla (Uruguai), Esparrago (Uruguai), Bertini e Domenghini (Itália).
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Gerd Muller marca dez gols, mas a Alemanha cai nas semifinais
Total de gols: 95
Todos os resultados
Grupo 1 31/05 – México 0 x 0 URSS03/06 - Bélgica 3 x 0 El Salvador06/06 - URSS 4 x 1 Bélgica07/06 - México 4 x 0 El Salvador 10/06 – URSS 2 x o El Salvador 11/07 – México 1 x 0 Bélgica
Grupo 2 02/06 - Uruguai 2 x 0 Israel 03/06 – Itália 1 x 0 Suécia 06/06 – Uruguai 0 x 0 Itália 07/06 – Suécia 1 x 1 Israel 10/06 – Suécia 1 x 0 Uruguai11/06 – Itália 0 x 0 Israel
Grupo 302/06 – Inglaterra 1 x o Romênia03/06 – Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia06/06 – Romênia 2 x 1 Tchecoslováquia 07/06 – Brasil 1 x 0 Inglaterra10/06 - Brasil 3 x 2 Romênia 11/06 – Inglaterra 1 x 0 Tchecoslováquia
Grupo 4 02/06 – Peru 3 x 2 Bulgária 03/06 – RFA 2 x 1 Marrocos 06/06 - Peru 3 x 0 Marrocos07/06 – RFA 5 x 2 Bulgária10/06 – RFA 3 x 1 Peru 11/06 – Bulgária 1 x 1 Marrocos
• Quartas-de-final 14/06 – Uruguai 1 x 0 URSS14/06 – Itália 4 x 1 México 14/06 – Brasil 4 x 2 Peru14/06 – RFA 3 x 2 Inglaterra
• Semifinais17/06 – Itália 4 x 3 RFA17/06 – Brasil 3 x 1 Uruguai
• Disputa do 3º lugar 20/06 – RFA 1 x 0 Uruguai
• Final21/06 – Brasil 4 x 1 Itália
Classificação final
Pos
País
Pontos
J
V
D
E
GP
GC
1º
Brasil
12
6
6
0
0
19
7
2º
Itália
8
6
3
1
2
10
8
3º
Alemanha Ocidental
10
6
5
1
0
17
10
4º
Uruguai
5
6
2
3
1
4
5
5º
URSS
5
4
2
1
1
6
2
6º
México
5
4
2
1
1
6
4
7º
Peru
4
4
2
2
0
9
9
8º
Inglaterra
4
4
2
2
0
4
4
9º
Suécia
3
3
1
1
1
2
2
10º
Romênia
2
3
1
2
0
4
5
11º
Bélgica
2
3
1
2
0
4
5
12º
Israel
2
3
0
1
2
1
3
13º
Bulgária
1
3
0
2
1
5
9
14º
Marrocos
1
3
0
2
1
2
6
15º
Tchecoslováquia
0
3
0
3
0
2
7
16º
El Salvador
0
3
0
3
0
0
9
